August 5, 2007 | In: Pense nisso!
Windows x Linux ou Spielberg x Cháves?
Sejam todos bem vindos ao segundo episódio da série “Pense Nisso!”.
Há alguns anos venho acompanhando algumas discussões sobre que sistema operacional usar e nesse post vou tentar mostrar um ponto de vista diferenciado para, quem sabe, servir como referência para a tomada de decisões de gestores de informática, mas meu objetivo é somente de propor discussões e reflexões.
Antes de chegar ao tema proposto quero que vejam a imagem abaixo:

Ela representa a realidade das primeiras interfaces para os usuários, que eram com cartões perfurados em que o sistema dizia ao usuário o que ele deveria fazer, ou seja, as regras de utilização eram impostas devido ao limite de tecnologia da época. Se as regras não fossem estritamente seguidas ocasionava problemas que acarretariam um extenso retrabalho.
No decorrer dos anos a tecnologia e a interface foi sendo aperfeiçoada até chegarmos nas atuais que é bem representado pela imagem abaixo onde a interface passou a se adaptar cada vez mais ao usuário.

Nesse período de adaptação, auxiliado por uma oportunidade única de mercado, que não foi desperdissada, fez com que a interface do windows da Microsoft se tornasse sinônimo de interface desktop no imaginário da maioria dos usuários, o mesmo fenômeno ocorreu com o word que se transformou em sinônimo de editor de texto.
Com o passar do tempo, foi criado um sistema de código aberto, chamado Linux, que passou a ser mais uma opção de utilizar como recurso nas empresas, como também o broffice writer que é um editor de texto gratuíto e de código aberto.
Não vou me prender a detalhes técnicos de ambos sistemas operacionais, pois meu foco aqui é na relação entre as pessoas, gestores e funcionários.
Como falei a pouco, na hora do gestor decidir que plataforma adotar, entre outras opções ele pode tomar decisões voltadas para o o recurso(estrutura, sistema) ou voltada para as pessoas.
Quando ele foca no recurso ele tem as duas opções Windows e Linux, mas quando foca nas pessoas a situação é um pouco diferente como vou mostrar a seguir:
Estou tendo uma experiência, não como gestor, mas como integrante de uma equipe, que está adotando softwares gratuítos para texto e planilha, no caso o broffice. Tenho percebido no decorrer dos 2 últimos anos a insatisfação dos usuários por ter que utilizar uma interface na qual não estavam acostumados, além de alguns problemas de formatação devido a utilização do formato do word editado no broffice.
A decisão de mudar para broffice foi a maneira sensata de passar a utilizar softwares legalizados, já que tinhamos uma incidência do editor proprietário sem licenças para utilizar. Mas nossa maior preocupação foi de não ser em hipótese alguma algo imposto. O sistema foi instalado porque era legal e gratuito, mas caso o setor quisesse realmente o office da Microsoft ele teria total liberdade de solicitar a compra de uma cópia legal no orçamento anual.
Tive também uma experiência familiar. No computador de minha casa deixei o windows, mas como editor de texto instalei somente o broffice e poucos meses depois minha mãe perguntou porque que eu tinha instalado esse programa e não o word, pois ela estava tendo muita dificuldade, durante meses seguidos. Na época eu só utilizava o writer (broffice) e devido meu egoísmo disse para ela que eu só poderia ajudar a resolver algum problema se fosse no broffice, no word não seria possível. Mas depois de algum tempo refletindo, acabei deixando o egoísmo infantil de lado e instalando o word que causou uma mudança instantânea na performance, produtividade e satisfação dela e que consequentemente me deixou feliz também.
Então gestor te fasso a pergunta: como você que ser lembrado quando seu tempo de liderança terminar?
Dependendo da decisão que você tomar poderá ser lembrado de uma das seguintes formas:
- Cháves, ditador, quando fechou a emissora de televisão infligindo com a liberdade de expressão da Venezuela. Que no caso de uma gestão de informática serve como metáfora para uma imposição de softwares que irão gerar insatisfação dos seus funcionários, trazendo desconforto na utilização pelo excesso de esforço em reaprender a utilizar a interface imposta(linux e broffice) ao invés da intuitiva que nesse caso seria o conjunto windows e office.
- Spielberg que trabalha com a criação de sonhos no imaginário dos espectadores, que acabam refletindo, se emocionando, facinando-se com os diversos temas sem o risco de imposições e sim com toda a liberdade e satisfação. No caso do nosso público alvo seria a utilização do windows com office (Microsoft), pois como já estão assimilados no imaginário desse público, o esforço será focado nas rotinas e problemas setoriais, aumentando dessa forma a produtividade e garantindo a satisfação do usuário.
Porém, quando o contexto é diferente, a classificação pode se inverter, como o caso desse anúncio de vagas para desenvolvedor e designer promovido pela visie, no qual foi divulgado o perfil necessário para ocupar o cargo. Nesse caso foi criado um sonho de fazer parte de uma equipe que vem se consolidando no mercado brasileiro no decorrer do anos para tipos específicos de usuário, novamente repito nada de imposição até aqui. Esse sonho agora é voltado para Linux e linguagens de programação de código aberto (atitude “Spielberg”). Um exemplo de atitude “Cháves” seria um anúncio fictício de vagas para pessoas com experiência de programação na plataforma windows e quando chegasse lá fosse totalmente o oposto.
Agora vocês podem me perguntar: E sempre será assim?
Para tentar responder quero que vocês analisem abaixo a pesquisa do Datafolha “Top mind 2006″ com o produto margarina:

Conseguem perceber a evolução da Qualy no decorrer dos anos. Isso com certeza foi consequência de um trabalho muito bem elaborado, inovador e consistente de maketing e publicidade. Como dá para notar não foi da noite para o dia nem muito menos forçando o consumidor a usar. Foi conquistando pouco a pouco com campanhas e slogans inovadores como “Qualidade de vida é com Qualy”.
Agora eu que pergunto. O que é que a comunidade do linux tem feito para esquecer um pouco o código e o produto e se preocupar mais no software do ponto de vista do negócio e mercado e tentar consolidar a marca junto a novos usuários?
Se tem feito algo ou não, o que tomo como referência é o seguinte fato:
Segundo pesquisa da Positivo, 75% dos consumidores que compraram computador com Linux trocaram por Windows em até 3 meses.
Enquanto essa situação não modificar, a melhor opção voltada para usuários de escritório será windows com pacote office porque a utilização do linux, por mais que a interface se aproxime em semelhança da do windows, atualmente ainda gera desconforto e a sensação de algo forçado para os usuários que já tem problemas suficientes para se preocupar.
Claro que no dia-a-dia o gestor enfrentará problemas de orçamento curto, mas mesmo assim ele deverá pensar muito bem antes de utilizar linux com broffice, pois terá que gastar com treinamento e paciência devido as reclamações que inevitavelmente aparecem e também a curva de aprendizado que será maior do que seria no windows.
Bom fica aí a seguinte frase pra pensar:
Vamos criar ambientes empolgantes para os funcionários, ou usuários (jeito “Spielberg”) ao invés de criar barreiras geradas por imposições que podem acabar despertando insatisfação e diminuição da produtividade na equipe (jeito “Cháves”).
Até o próximo “pense nisso!”
Um abraço a todos.