December 7, 2006 | In: apresentação

Em busca da simplicidade

Tudo bem, meu nome é Valério Farias, trabalho com desenvolvimento web desde 2003 e vou contar um pouco da minha história pra vocês.

Comecei pelos layouts de tabela, usando editores WYSIWYG que imaginava ser simples pois não precisava me perder entre as infindáveis trs e tds. Porém, certo dia precisei colocar um grande relatório que estava no formato de planilha eletrônica em formato HTML e, pelo meu conceito ingênuo de simplicidade, fiz uma exportação direto para HTML, uma espécie de serviço CASE da planilha. A consequência é que a página ficou extremamente lenta e humanamente impossível de ser visualisada. Na hora fiquei desanimado e muito pensativo, então encarei a fera. Vasculhei o código e me assustei com a quantidade de formatação repetitiva que tinha nele. Fiz toda a limpeza deixando somente o código necessário, até que, para meu alívio, consegui disponibilizar o arquivo na página web. Esse foi o meu primeiro grande desafio e saí dele com a lição de que é importante também fazer a limpeza embaixo do tapete.

Depois vieram os outros desafios. Fiquei muito surpreso com meu primeiro contato com os padrões web e com a metodologia tableless. Então passei a ver que ao invés de ficar empurrando a sujeira para debaixo do tapete, era muito melhor retirá-la com uma pazinha e colocar direto no lixeiro. Foi quando resolvi aos poucos ir abandonando o recurso WYSIWYG.

Tive esse impacto inicial com o código enxuto quando em poucos dias me dei conta que código limpo, mas descontextualizado não bastava. A bola da vez foi a semântica e passei a usar as marcações apropriadas para cada tipo de conteúdo. Nessa mesma época o tapete se desfiava e tentei concertá-lo, quando descobri que na anciedade de economizar lã, teci num processo desordenado e não conseguia mais encontrar o começo do fio que estava se soltando; resolvi fazer um novo tapete, mas dessa vez eu coloquei alguns fios de diâmetro maior que ficaram como referência para os demais fios. Dessa forma facilmente identificava onde estava o inicio do fio baseando-me no fio maior que servia de parâmetro. Aproveitei também para amenizar outro problema. As pessoas estavam pisando na ponta do tapete e findavam sujando o chão, então resolvi fazer um desenho de duas pegadas no meio do tapete, para dar uma suave sugestão para liparem o sapato na parte central do tapete e não nas bordas.

Outra questão importante foi a separação entre a formatação e conteúdo. Agora eu faria todo o posicionamento, controle de fonte, cores em um arquivo css separado. O ponto que mais me chamou a atenção na época foi a técnica image replacement e em particular a possibilidade de substituir imagens quando o mouse passasse por cima do gif dando o efeito rollover, que antes eu fazia através de um gerador automático de código javascript que se juntava ao HTML para possibilitar o efeito enquanto que o css fazia a mesma coisa de forma mais simples. Quanto ao tapete eu tinha um problema grande em mudar suas cores pois eu utilizava fios prontos com cores distintas e pra mudar um fio vermelho para um verde eu precisava retirar esse fio e colocar o outro. Agora mudei o processo para fazer o tapete inteiro com fios de uma cor neutra para depois receber a nova cor por pinturas. Para uma nova roupagem, agora só era preciso passar uma nova camada de tinta e ficaria uma maravilha! Sem falar que aperfeiçoei o processo da pintura, pois com o pincel eu gastava tinta demais e agora com um spray só uso o suficiente no processo.

Quando comecei a dar mais atenção ao usuário, uma variável muito importante para o desenvolvimento, passei a aperfeiçoar conceitos como Acessibilidade para que as páginas ficassem disponíveis tanto para pessoas com necessidades especiais como também preparadas para encarar a diversidade de dispositivos que já estão no mercado e outros que virão a surgir. Nesse período descobri que o código acessível acaba sendo útil para a grande maioria dos usuários. Compreendi também que a utilização dos padrões web com metodologias de separação entre formatação x conteúdo já me forneciam uma base muito relevante para manter a acessibilidade.

Outros conceitos que passei a adotar com relação aos usuários foi o de usabilidade e de Arquitetura da informação pois agora era preciso que uma interface ficasse intuitiva e confortável, além de suas informações e navegação se tornarem simples para que o usuário não se perdesse na tentativa de achar a informação.

Nessa mesma época percebi que minha sala estava ficando suja, foi quando detectei que só tinha um tapete no banheiro. Então fiz um novo tapete para a saída tornando-o mais disponível para evitar a sujeira. Pouco tempo aconteceu alguns fatos que me deixaram em estado de alerta: primeiro minha tia que tinha sofrido um acidente precisou passar alguns meses na cadeira de roda e como o tapete era muito alto, dificultava a entrada na casa, resolvi então colocar um outro tapete bem fininho que não atrapalhasse a entrada dela. O segundo foi com Minha irmã, certa vez escorregou ao sair do banheiro, devido ao chão molhado o tapete deslizou, então coloquei uma nova camada antiderrapante sob o tapete para evitar que esse desconforto se repetisse.

Quando eu achava que o detalhe de organização estava no estado da arte, me aparece os microformatos, que é uma forma de abrir a possibilidade para representação de assuntos específicos como cartões profissionais, ou lista de eventos, utilizando-se nomes de classes padronizados. Coisa que só com o HTML não era possível. Então comecei a utilizar os hcards.

Por coincidência, pouco tempo depois, um vizinho se agradou muito com os tapetes lá de casa e perguntou qual era o fabricante. Eu respondi que era produto de artezanato da família e me veio a idéia de colocar uma etiqueta no tapete com o nome “Fabricação Caseira”.

Até esse ponto, tive uma noção clara da produção de um website. Mas descobri que apenas colocar no ar um website não bastava, era necessário também acompanhar o resultado que ele trouxe e comparar com o que se desejava dele, para detectar se foi conseguido o retorno de investimento almejado.

Meu objetivo principal com a produção dos tapetes era eliminar o excesso de sujeira que estava se acomodando na casa. Percebi que depois de alguns meses diminuiu bastante, mas minha mãe levava muito as visitas para o quintal e quando voltavam pela cozinha ainda sujava um pouco. Resolvi então colocar mais um tapete na porta dos fundos que finalmente resolveu o problema e a casa permanecia limpa por muito mais tempo.

Ufa! vários conceitos aplicados e até que enfim estabilidade. De jeito nenhum! Com o lançamento do IE7 que avisa que os hacks usados para IE6 não funcionarão mais, o jeito foi refatorar as páginas css usando os conceitos de estilos condicionais para o IE. Quando eu menos esperava, a gatinha lá de casa arranhou o tapete da sala quase que por completo, o resultado é que eu tive que providenciar um novo tapete para sala e rezar para a gatinha não arranhá-lo mais.

Ok. Já sei que tenho que está preparado para momentos inesperados que exige mudanças na nossa rotina. O que detectei até esse momento é que passei por várias fases de aprimoramento do código e também da interface para melhorar o nível de satisfação do usuário. Porém eu também fiquei ciente que, dependendo do projeto, é necessário colocar uma outra variável que seria a possibilidade da interface oferecer a interação entre pessoas que está sendo pesquisada e discutida na disciplina de design da interação. Com relação aos tapetes ainda não cogitei a idéia de utilizá-los mais largamente em locais de interações humanas, como no caso dos islâmicos que além de cobrir o chão, utilizam os tapetes para decoração de lares e dos locais públicos por todo o Irã.

Nesse texto citei de links de vários blogueiros, mesmo falando da minha experiência. Não interpretem isso como um ato de puxar o tapete. A questão é que não seria possível chegar onde estou hoje sem essas referências e muitas outras que não citei aqui, isso mostra a importância do compartilhamento da informação para que ela possa ser tanto reutilizada como aprimorada. Se tentarmos olhar com mais detalhes o produto (página web) acaba sendo uma obra coletiva, no plano do conhecimento, técnicas, idéias; executado por indivíduos; para voltar novamente para a coletividade, fazendo com que as pessoas possam lidar melhor com as suas necessidades e desejos.

Acho importante a divulgação desse processo pois é necessário que tenhamos conciência que devemos aprimorar nossas técnicas de desenvolvimento a ponto de saber se o produto melhorou a experiência das pessoas, se está sendo evitado o retrabalho, se está sendo eliminada a burocracia desnecessária. É bom relembrar também que as idéias podem ter alguns sentidos diferentes e que é preciso eliminar os sentidos ingênuos, que podem piorar os processos e danificar o produto, como ocorreu com meu sentido de simplicidade inicial que gerou um arquivo inacessível. No contexto da web, Considero um produto simples quando ele atende às necessidades do usuário, melhorando sua experiência e ao mesmo tempo podendo ser facilmente modificado.

Para concluir aprendi que às vezes, é preciso que nossos vizinhos batam um tapete com poeira no nariz da gente para alertar da necessidade de fazer uma limpeza. No meu caso para que eu tomasse a iniciativa de criar o blog e poder compartilhar minha experiência.

Um abraço a todos.

1 Response to Em busca da simplicidade

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Proposta indecente da Visie « Desenvolvimento web

December 19th, 2006 at 12:14 am

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