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	<title>Valério Farias &#187; Pra refletir</title>
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		<title>Linguagem Ruby e Educação: um acordo feito no céu (tradução)</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 11:11:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valério Farias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É importante não generalizar a linguagem Ruby como se fosse algo que resolverá todos os seus problemas. Ela tem propósito geral, mas será adequada em determinados contexto e outros não, como todas as outras linguagens. O propósito desse post do Kate Cunningham que eu traduzi é mostrar que as características do Ruby são muito harmônicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>É importante não generalizar a linguagem Ruby como se fosse algo que resolverá todos os seus problemas. Ela tem propósito geral, mas será adequada em determinados contexto e outros não, como todas as outras linguagens. O propósito desse post do Kate Cunningham que eu traduzi é mostrar que as características do Ruby são muito harmônicas com as características necessárias em um ambiente efetivo de aprendizado. Isso não quer dizer que o aluno deva estacionar no Ruby. Ele terá o caminho facilitado para o mundo da programação com Ruby, mas isso será só o primeiro passo. Ele deverá sim, aprender outras linguagens, pois é a única forma de se aprimorar como profissional de uma área tão dinâmica. O texto original você encontra <a href="http://rubylearning.com/blog/2010/08/11/ruby-programming-and-education-a-match-made-in-heaven/">aqui</a>. Fique agora com a tradução:</p></blockquote>
<p>A linguagem Ruby tem recebido muita atenção na última década, especialmente com o advento do Ruby on Rails em 2005. Enquanto a blogosfera está utilizando Ruby a muito tempo, vamos nos perguntar como, exatamente, a linguagem Ruby é propícia para um ambiente educacional.</p>
<div id="attachment_369" class="wp-caption alignright" style="width: 254px"><a href="http://valeriofarias.com/wp-content/uploads/2010/08/ruby-logo-r.png"><img class="size-full wp-image-369" title="ruby-logo-r" src="http://valeriofarias.com/wp-content/uploads/2010/08/ruby-logo-r.png" alt="Ruby Programming Language" width="244" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Copyright (C) 2008 Ruby Association LLC</p></div>
<p>Claro, podemos ir para a relevância da linguagem Ruby, pois se você está recebendo treinamento em um ambiente educacional para se tornar um programador de computador, e você não sabe o Ruby, então você está ficando cada vez mais fora do circuito. No entanto, linguagens de programação vêm e vão, e educação não é sobre as tendências, é sobre as idéias que sustentam o valor no decorrer dos anos.</p>
<p>Vamos então olhar para a filosofia de linguagem Ruby e ver como é propício à aprendizagem. Por um lado, Ruby é flexível. Ele não tem a rigidez de Java ou PHP. Em um ambiente que maximiza o aprendizado, a flexibilidade é fundamental. E Ruby é tão flexível quanto possível. Yukihiro Matsumoto, o  criador da linguagem Ruby, notou o que ele estava pensando quando ele começou a trabalhar com linguagem de programação: &#8220;É engraçado, quando eu usei PHP para desenvolver ou as coisas que eu fiz em Java, eu estava sempre à procura de algo mais.&#8221;</p>
<p>Outra grande coisa sobre Ruby é seu reforço da capacidade para a criatividade. Como muitos programadores Ruby notaram, Ruby é mais alinhado com o pensamento humano. Desta forma, é muito fácil de usar. E precisamente porque é mais fácil de usar, é mais versátil quando se trata de ser criativo.</p>
<p>A apresentação de <a href="http://www.slideshare.net/vishnu/the-ruby-programming-language-or-why-are-you-wasting-brain-power">slides sobre a linguagem Ruby</a> explica como Ruby auxilia a criatividade. Afirma que os seres humanos perdem produtividade quando são forçados por &#8220;tarefas repetitivas, tarefas desnecessariamente complexas  e resolvendo problemas que não estão dentro do domínio de aplicação.&#8221; Desde que Ruby efetivamente se livra dessas tarefas repetitivas e de tarefas voltadas para máquinas, há mais espaço aberto para ser criativo. Com os alunos, especialmente, a produção criativa é a chave para a aprendizagem de forma eficaz.</p>
<p>Um aspecto do processo de aprendizagem que é absolutamente crítico para a eficácia educacional é diversão. Nós geralmente não pensamos sobre a diversão quando nós pensamos sobre a educação. Mas reflita sobre seus próprios anos escolares no passado. Se você pensar bem, você percebe que os assuntos que você aprendeu mais e reteve o conteúdo eram aqueles em que você estava se divertindo. Este divertimento, claro, resulta em parte da criatividade. Quando você está sendo produtivo, você está se divertindo.</p>
<p>Ao contrário de outras linguagens de programação, você pode fazer muita coisa com Ruby, mesmo se você está apenas nos estágios iniciais de aprendizagem. Para os estudantes, o processo de aprendizagem é frustrante e é um pouco prejudicado quando pequenos erros aparecem no caminho de chegar aos conceitos maiores. Linguagens de programação como C++ podem dificultar o aprendizado dos conceitos maiores porque pequenos erros no código sempre aparecem durante o processo. Já usando o  Ruby o aluno não passa por essas pequenas dificuldades quando está iniciando o aprendizado.</p>
<p>Naturalmente, estes são apenas indicações básicas de que Ruby é a melhor ferramenta de aprendizagem para os interessados em programação de computadores, especialmente os iniciantes. No entanto, assim como na educação como um todo, em que mudanças conceituais básicas no processo de aprendizagem levam os alunos para as melhores práticas na aprendizagem,  Ruby oferece a possibilidade de uma aprendizagem fácil, divertida, criativa, por força da simples virtude de que a linguagem foi feita para pragmaticamente funcionar dessa forma. Em análise final, Ruby foi feito para estudantes, jovens e idosos, iniciantes e mais avançados.</p>
<p>Por Kate Cunningham</p>
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		<title>Introdução à Linguagem Assembly (tradução)</title>
		<link>http://valeriofarias.com/introducao-a-linguagem-assembly/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 22:07:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valrio Farias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra refletir]]></category>
		<category><![CDATA[Assembly]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem de máquina]]></category>
		<category><![CDATA[programação]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem não é da área de informática e até mesmo para quem é programador mas sempre trabalhou com linguagens de alto nível esse artigo é muito esclarecedor.  A gente passa a ter consciência e respeitar o esforço que os primeiros programadores e projetistas tiveram para chegar ao que temos hoje. Para ler o artigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Para quem não é da área de informática e até mesmo para quem é programador mas sempre trabalhou com linguagens de alto nível esse artigo é muito esclarecedor.  A gente passa a ter consciência e respeitar o esforço que os primeiros programadores e projetistas tiveram para chegar ao que temos hoje. Para ler o artigo original acesse <a href="http://www.swansontec.com/sprogram.html">esse link</a>. Fique agora com a tradução:</p></blockquote>
<p>Esta é uma breve introdução à linguagem assembly. Assembly é a linguagem de programação mais básica disponível para qualquer processador. Com a linguagem assembly, um programador só trabalha com as operações executadas diretamente sobre a CPU física. A linguagem Assembly carece de alto nível de conforto, tais como variáveis e funções, e não é portátil entre as diversas famílias de processadores. No entanto, assembly é a linguagem de programação mais poderosa disponível no computador, e ela dá aos programadores a visão necessária para escrever código eficiente em linguagens de alto nível. Aprender assembly é valorizar o tempo e o esforço de todos os programadores sérios.</p>
<p><strong>O Básico</strong></p>
<p>Antes de podermos explorar o processo de escrever programas de computador, temos que voltar para o básico e saber exatamente o que é um computador e como ele funciona. Cada computador, não importa quão simples ou complexo, tem no seu cerne exatamente duas coisas: <strong>uma CPU e alguma memória</strong>. Juntas, essas duas coisas são o que tornam possível que o seu computador execute programas.</p>
<p>No nível mais <strong>básico</strong>, um <strong>programa de computador</strong> nada mais é do que uma coleção de <strong>números armazenados na memória</strong>. Números diferentes dizem para a CPU fazer coisas diferentes. A CPU lê os números um de cada vez, decodifica-os e executa o que os números dizem. Por exemplo, se a CPU lê o número 64 como parte de um programa, ela irá adicionar 1 ao número armazenado em um local especial chamado AX. Se a CPU lê o número 146, vai trocar o número armazenado em AX com o número armazenado em outro local chamado BX. Ao combinar várias operações simples, como estas em um programa, um programador pode fazer o computador realizar muitas coisas incríveis.</p>
<p>Como exemplo, aqui estão os números de um simples programa de computador: 184, 0, 184, 142, 216, 198, 6, 158, 15, 36, 205, 32. Se você digitar esses números na memória do seu computador e executá-los no MS-DOS, você veria um sinal de dólar ($) colocado no canto inferior direito da tela, uma vez que é o que estes números dizem que o computador faça.</p>
<p><strong>Linguagem Assembly<br />
</strong><br />
Embora os números do programa acima façam sentido para um computador, eles não são claros para um ser humano. Quem poderia imaginar que o código colocaria um cifrão na tela? Claramente, manipular números diretamente é uma péssima maneira de escrever um programa.</p>
<p>Não tem que ser assim. Um tempo atrás, alguém veio com a idéia de que os programas de computador poderiam ser escritos com palavras, em vez de números. Então um programa especial chamado montador pegaria as palavras do programador e converteria em números que o computador pudesse entender. Este novo método consiste em escrever um programa em linguagem Assembly. Isso salvou os programadores de milhares de horas de esforço, já que não tinham mais que procurar números difíceis de lembrar nas costas de livros de programação, em vez disso bastava usar palavras simples.</p>
<p>O programa acima, escrito em linguagem assembly, é assim:<br />
MOV AX, 47104<br />
MOV DS, AX<br />
MOV [3998], 36<br />
32 INT</p>
<p>Quando um montador lê este programa exemplo, converte cada linha de código em uma instrução de nível de CPU. Este programa utiliza dois tipos de instruções, MOV e INT. Em processadores Intel, a instrução MOV movimenta dados, enquanto a instrução INT transfere o controle do processador para os drivers de dispositivo ou sistema operacional.</p>
<p>O programa ainda não está completamente claro, mas é muito mais fácil de entender do que era antes. A primeira instrução, MOV AX, 47104, informa ao computador para copiar o número 47104 no local AX. A próxima instrução, MOV DS, AX, informa ao computador para copiar o número em AX para o local DS. A próxima instrução, MOV [3998], 36 diz ao computador para colocar o número 36 em memória na posição 3998. Finalmente, INT 32 finaliza o programa, retornando ao sistema operacional.</p>
<p>Antes de prosseguirmos, gostaria de explicar como funciona este programa. Dentro do CPU existe uma quantidade de locais, chamados registradores, que podem armazenar um número. Alguns registradores, como o AX, são de uso geral, e não fazem nada de especial. Outros registradores, como o DS, controla a forma como o processador funciona. DS funciona como um registrador de segmento, e é usado para escolher qual área de memória da CPU pode gravar. Em nosso programa, vamos colocar o número 47104 para DS, que fala para a CPU acessar a memória na placa de vídeo. A próxima coisa que nosso programa faz é colocar o número 36 na localização 3998 da memória da placa de vídeo. Como o 36 é o código para o sinal de dólar &#8220;$&#8221; e 3998 é a posição de memória do canto inferior direito da tela, um cifrão aparece na tela alguns microssegundos depois. Finalmente, o nosso programa informa a CPU para realizar o que se chama uma interrupção. Uma interrupção é usada para parar um programa e executar um outro em seu lugar. No nosso caso, usamos a interrupção 32, que termina o nosso programa e retorna para o MS-DOS, ou qualquer outro programa que foi usado para iniciar o nosso programa.</p>
<p><strong>Executando o programa<br />
</strong><br />
Vamos agora rodar este programa. Primeiro, certifique-se de escrever estas instruções em outro local, para servir de referência durante a codificação. Em seguida, clique em seu menu iniciar, e execute o programa chamado &#8220;prompt do MS-DOS&#8221;. Uma tela preta com texto branco deverá aparecer. Estamos agora no MS-DOS, a forma como os computadores eram utilizados 20 anos atrás. MS-DOS existia antes do mouse ser utilizado, então você deve digitar os comandos no teclado para fazer o computador fazer coisas.</p>
<p>Primeiro, eu quero que você digite a palavra &#8220;debug&#8221;, e pressione enter. O cursor irá se mover para baixo uma linha, e você deve ver o prompt de depuração, que é um traço simples. Estamos agora em um programa chamado de depuração. Depuração é uma utilidade poderosa que lhe permite acessar diretamente os registos e memória de seu computador para várias finalidades. No nosso caso, queremos colocar o nosso programa na memória e executá-lo,<br />
então vamos usar um comando debug, para montar. Vá em frente e digite &#8220;a100&#8243; agora. O cursor irá mover para baixo outra linha, e você vai ver algo como &#8220;1073:0100&#8243;. Esta é a localização de memória, nós vamos colocar as instruções assembly. O primeiro número é o segmento, e o segundo número é a posição de memória dentro do segmento. Seu programa de depuração provavelmente irá escolher um segmento diferente do meu, então não se preocupe se ele for diferente. Outra coisa a observar é que a depuração só entende números hexadecimais, que são uma espécie de atalho do computador. Os números hexadecimais podem conter letras e dígitos, então se você ver algo como &#8220;63AF&#8221;, não se preocupe.</p>
<p>Vamos em frente escrever nosso programa agora. Digite cada uma das instruções abaixo no Debug exatamente como elas aparecem, e pressione enter após cada uma. Quando você terminar de inserir a última instrução, pressione enter duas vezes para dizer ao Debug que nós inserimos instruções.</p>
<pre class="brush: ruby; ">
mov ax, B800
mov ds, ax
mov byte [0F9E], 24
int 20
</pre>
<p>Como vocês podem ver, eu converti todos os números em hexadecimal, e fiz algumas mudanças para o debug poder entender o que está acontecendo. Se você cometer um erro ao entrar no programa acima, pressione enter duas vezes, digite novamente &#8220;a100&#8243;, e começe a introduzir as instruções no início do programa.</p>
<p>Depois de ter entrado no programa, você pode ir em frente e executá-lo. Basta digitar &#8220;g&#8221; e pressione enter quando estiver pronto para iniciar o programa. Você deve ver um sinal de dólar no canto inferior direito da tela, e as palavras &#8220;Program terminated normally.&#8221; Estas palavras são colocadas pelo Debug para informá-lo que o programa terminou normalmente. Parabéns! Você acabou de inserir e executar o seu programa feito em Assembly!</p>
<p>Vamos voltar para o Windows agora. Vá em frente e digite &#8220;q&#8221; para sair de depuração. Agora, digite &#8220;exit&#8221; para sair do MS-DOS. Agora você deve estar de volta no Windows.</p>
<p>No próximo artigo falarei da linguagem assembly mais detalhadamente.</p>
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		<title>A escola às vezes ERRA Feio!</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 18:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valrio Farias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pense nisso!]]></category>
		<category><![CDATA[Pra refletir]]></category>
		<category><![CDATA[equívocos]]></category>
		<category><![CDATA[erro]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[formação]]></category>
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		<description><![CDATA[Em alguns momentos a escola insiste em propagar pontos de vistas que podem ser nocivos para a evolução efetiva dos alunos, pontos de vistas incoerentes com o objetivo de formar pessoas que possam ser úteis para a sociedade. Logo abaixo vou mostrar o fato com o ponto de vista equivocado que será detalhado no decorrer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em alguns momentos a escola insiste em propagar pontos de vistas que podem ser nocivos para a evolução efetiva dos alunos, pontos de vistas incoerentes com o objetivo de formar pessoas que possam ser úteis para a sociedade. Logo abaixo vou mostrar o fato com o ponto de vista equivocado que será detalhado no decorrer do texto.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><img title="De volta para escola" src="http://farm1.static.flickr.com/66/204934333_7738d2e5a9_m.jpg" alt="por http://www.flickr.com/photos/52636849@N00/" width="240" height="195" /><p class="wp-caption-text">por http://www.flickr.com/photos/52636849@N00/</p></div>
<p>O fato ocorreu em um colégio de ensino médio. Já vi a mesma cena em colégios públicos e privados: Certo dia, um professor do quadro escolar teve que faltar e por esse motivo uma professora teve que assumir a responsabilidade de dar aula em 2 turmas no mesmo horário.</p>
<p>A professora entrou na sala do 1º ano e fez o seguinte acordo: “Pessoal, eu terei que continuar a aula no 2º ano, mas vou deixar uma atividade com vocês e ninguém pode sair da classe. Quando eu retornar vocês poderão ir para casa mais cedo”.</p>
<p>Quando a professora retornou, percebeu que tinha 3 alunas na porta da sala, então ela pediu para que elas voltassem para o local delas e <strong>falou para a turma que, como eles não tinham cumprido o acordo de ficarem quietos em seu locais, todos teriam que ficar na sala a tarde inteira.</strong> Um aluno ainda questionou: <strong>&#8220;Professora, mas quem desobedeceu foram elas, porque teremos que pagar pelo erro delas”</strong>. A professora respondeu de volta: <strong>&#8220;Somente elas desobedeceram, mas meu acordo foi com todos vocês, e os demais que não estavam na porta erraram por omissão”</strong>. A conversa finalizou e todos os alunos foram punidos por causa de um erro cometido por 3 alunas.</p>
<p>Não entrarei no juízo de valor de apontar se a atitude foi ou não errada. Já que perante as leis vigentes, cada instituição é livre, dentro dos princípios morais, de utilizar regras e instruções próprias, para que possam dar conta de seus objetivos com efetividade.</p>
<p>Vou concentrar meus argumentos somente nas possíveis conseqüências que a atitude acima pode causar nos alunos em curto ou longo prazo.</p>
<p>Os adolescentes, em sua fase escolar, na maioria ainda são dependentes dos pais ou de algum familiar, é obvio que não se trata de pessoas autônomas, que podem responder pelos próprios atos. O bom senso universal e as leis do estado partem do ponto de vista de que eles precisam passar por um estágio de amadurecimento e instrução até que estejam prontos para conviver ativamente na sociedade.</p>
<p>A escola em certo sentido é um microuniverso que servirá como auxiliar para o amadurecimento dos jovens. E como todo microuniverso terá suas normas, regras de conduta, processos e etc. Só que, é muito importante que esse microuniverso seja o máximo possível coerente com a realidade externa (mundo externo à escola) para que o aluno possa ter uma preparação que não gere desconfortos quando, no futuro tiver que se deparar com a vida real do mercado de trabalho.</p>
<p>O que podemos constatar é que a atitude da professora de punir todos devido ao erro de uma minoria, não existe no macro-universo da vida real. Qualquer ambiente de trabalho no qual o aluno vá fazer parte no futuro segue no geral o seguinte padrão: <strong>“Elogios públicos, punições individuais e em particular”</strong>.</p>
<p>O ambiente produtivo do trabalho é sábio ao adotar esse paradigma, pois quando ocorre punições em público e pior ainda punições para todos em detrimento de uma minoria cria um clima de tensão e desconfiança no grupo, que pode chegar ao ponto de influenciar na saúde mental e emocional dos integrantes e conseqüentemente diminuindo produtividade, que é o objetivo geral de toda empresa. Já o outro quesito que é elogios públicos. Cria um clima de satisfação para o indivíduo que recebeu o elogio e também um clima geral de competitividade sadia, que é quando todos sabem que quem fizer um pouco mais, poderá ser o próximo a receber o elogio ou o aumento de salário. Claro que existem exceções a essa regra e determinadas empresas exageram nesse paradigma ao ponto da regra ser produtividade a qualquer custo, mas onde quero chegar é que essa é a regra em vigor e tem funcionado bem em uma boa parte dos casos.</p>
<p>Voltando para os alunos. Há uma tendência muito forte que eles sintam problemas de adaptações à futura entrada no mercado de trabalho, devido ter assimilado situações em sua fase de amadurecimento que não fazem parte dessa nova realidade. É uma mudança muito brusca. Não é gradual, nem complementar. É um paradigma oposto. Isso pode influenciar consequentemente na produtividade e na satisfação de ser útil para a sociedade. O ex-aluno pode criar fantasmas e equívocos como <strong>“todo aquele tempo a escola serviu pra que?”</strong>.</p>
<p>É importante relembrar que a professora deve ter autonomia e essa atitude foi coerente com a autonomia que ela deve ter, portanto o que foi feito mesmo que equivocado não deve ser motivo para qualquer reclamação com relação a atitudes passadas da professora. O que quero ressaltar aqui é um ponto de vista diferenciado que se passar a ser adotado poderá contribuir ainda mais com o papel da escola e poderá evitar várias situações constrangedoras nas classes e também evitar vários problemas de adaptações futuras dos alunos às regras da sociedade extraclasse.</p>
<p>Agora, será que ter autonomia significa fazer do jeito que a individualidade quiser? Será que não é importante que essa autonomia esteja baseada em princípios para um bem maior? Para criar um clima de justiça e equilíbrio na sala? Para preparar os jovens com normas coerentes com o dia-a-dia que ele enfrentará no futuro? Se olharmos minuciosamente para a atitude da professora de punir em público e fazer com que a maioria pagasse pelo erro de uma minoria, podemos ver que ela criou uma regra que nem sequer ela própria segue, caindo no ditado <strong>“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”</strong>, que contribui ainda mais para criar o ambiente hostil. Da mesma forma que ela corrigiu o aluno que reinvidicou justiça (punição somente para quem descumpriu a ordem) dizendo que o acordo dela foi com a classe. Ela também fez um acordo com o estado, na verdade um acordo contratual, e o acordo é o mesmo para ela e para todos os outros professores da instituição e de outras instituições. Só que quando um professor faz algo de errado a instituição não pune todos os professores pelos defeitos de um único, o punido é somente o que praticou o erro.</p>
<p>Ela afirmou também que os demais alunos foram punidos pela omissão. Um dos alunos disse que não iria fazer inimizade por causa disso. Essa atitude do aluno foi no mínimo sábia. Cada aluno está no mesmo nível hierárquico, por isso são chamados de alunos. Além de nenhum deles ter nenhum privilégio com relação ao outro, eles ainda estão em fase de amadurecimento das relações, então em boa parte dos casos não terão o bom senso necessário para lidar com as situações diversas gerando o mínimo de conflitos possíveis. É para isso que existe o professor, que além da instrução, ele é o responsável para criar o clima de equilíbrio e diminuir os conflitos internos da sala.  O aluno utilizou o senso de sobrevivência que todos humanos possuem, pois deduziu que ele ainda iria conviver por muitos anos com o outro aluno, e com o professor conviveria somente em momentos isolados. Outra possibilidade é que os alunos que desobedeceram tivessem um porte físico maior e por isso poderiam exercer algum tipo de influência abusiva sobre os demais alunos, conseqüentemente, por senso de defesa, preferiram se calar. O que nos leva para outro ditado: <strong>“Manda quem pode e obedece quem tem juízo”</strong>. A professora quando julgou por omissão, na verdade exigiu uma tarefa muito perigosa para a saúde emocional e mental dos alunos, pois essa tarefa de intervir no que o outro está fazendo estando no mesmo nível que o outro cria um palco para gerar conflitos, desde simples da sala de aula, até perigosíssimos como cobranças por dívidas a pessoas com má índole.</p>
<p>Tecnicamente a omissão foi da professora, já que a tarefa coerente que ela poderia ter feito seria a punição dos que realmente erraram. E por bom senso os que não disseram nada ela relevaria, pois eles estão somente exercendo o direito deles de sobreviver no microuniverso heterogênio da convivência humana. Ela se omitiu, pois colocou uma tarefa que era para ela fazer ao invés dos alunos. Omitiu-se por pregar uma atitude que sequer ela pratica no ambiente de trabalho que prega punições individuais. Omitiu-se porque as pessoas que servem de espelho para outras devem está constantemente procurando aprimoramento para que seu trabalho seja o mais eficiente e eficaz possível. Se não preparar o jovem para o futuro pelos limites da estrutura de cada colégio, que pelos menos não atrapalhe. É preciso evitar situações onde os alunos possam executar tarefas e receber conceitos que tirem sua criatividade, que dificulte a atuação de forma ativa no futuro dos mesmos na sociedade. Omitiu-se também porque só procurou ver o problema pelo ponto de vista dela, se ela conversasse um pouco mais com o aluno que reinvidicou punição somente para quem errou, poderia detectar talvez que o aluno não se manifestou porque além de está no mesmo nível político do outro, fisicamente fosse de porte menor o que poderia ser uma desvantagem em um confronto direto. Não somente a professora se omitiu, mas a instituição também se omitiu, pois está ajudando a propagar esse conceito equivocado que pode até aniquilar com o progresso de diversos alunos que ainda estão caminhando até chegar à fase autônoma.</p>
<p>Não queria chegar nesse nível de argumentos, mas vou colocar somente para reflexão: Da mesma forma que as pessoas de bem, não pagam pelos erros dos ladrões, estupradores, pessoas de má índole, pessoas que prejudicam as outras. Os alunos no micro-universo da sala de aula, também não merecem ser julgados por erros de uma minoria que não seguiram as regras da instituição.</p>
<h3>Cabe aos professores, aos coordenadores, aos diretores, repensar essas atitudes na sala de aula, para que a escola possa aprimorar o seu papel de preparar os jovens para o futuro, ou em última instância, de pelo menos não atrapalhar o jovem em sua caminhada.</h3>
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